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Incinerador Vergueiro

Em 1977 quando a CETESB lacrou os incineradores dos Hospitais por motivos técnicos e risco à Saúde Pública, a Prefeitura assumiu a responsabilidade da prestação dos serviços de coleta e transporte, tratamento e destinação final dos RSS. À época, a Prefeitura operava com 3(três) incineradores, quais sejam, Pinheiros, Ponte Pequena e Vergueiro. Desde 1997 o incinerador Vergueiro passou a ser a única Unidade para tratamento dos RSS.

O Incinerador Vergueiro teve o início de sua construção em 1963, com suas atividades iniciadas em 1967, tendo por finalidade a queima de resíduos provenientes da coleta domiciliar. Vale lembrar que o Projeto da Unidade atendia a Legislação Ambiental Alemã pela inexistência de qualquer apostila de teor similar no Brasil (Data de criação da CETESB 1872).

A - O Incinerador Vergueiro é dotado de um filtro mecânico que retém particulados com diâmetros que variam de 30 a 240 micra, sendo sua eficiência média da ordem de 72%. Sua Chaminé tem uma altura de 60m, atendendo a critérios técnicos de dispersão adotados quando da elaboração do Projeto.

B - O projeto do incinerador prevê a queima de resíduos com poder calorífico de 900 a 1200 kcal/kg, e os resíduos hoje operados pela Unidade (RSS), possuem valor calorífico de 3000 kcal/kg. Para viabilizar a queima, visando preservar o equipamento, ou seja, baixar a temperatura da operação, adotamos a agregação de 30% de lixo domiciliar. Com todas as precauções adotadas, pela grande quantidade de descartáveis (plásticos) que compõem o RSS, temos a formação de borras nas paredes das câmaras de incineração, prejudicando o fluxo de gases. Ao retirarmos as borras, via de regra, os refratários são danificados. Dadas às características químicas e as elevadas temperaturas, temos, também, um desgaste maior dos tapetes das grelhas e demais partes motrizes. Ocorre ainda, devido às características do material incinerado, a queima de resíduos no alimentador e no britador de escória, desgastando precocemente esses elementos.

C - Em que pese a manutenção preventiva freqüentemente realizada, os problemas expostos causam sistemáticas paralisações na Unidade para manutenções corretivas, como as ocorridas em fevereiro, abril e junho desse ano, causando grandes transtornos para os serviços de Coleta e Transporte de RSS, visto que o ETD ainda se encontra em fase de validação do processo. Os testes conclusivos de validação dessa unidade não ocorreram ainda, pois a CETESB, por causas próprias, vem adiando de longa data a realização dos mesmos. Em conseqüência das paralisações ocorridas no incinerador, e a limitação de 7,1 t/dias imposta pela CETESB e SVMA ao ETD, obrigou-nos, nesses períodos, a administrarmos a coleta de RSS com tal dificuldade, que tivemos que adotar os preceitos da NBR 18809, que obriga os geradores a terem abrigos externos suficientes para o armazenamento de RSS por três dias de geração. Mesmo administrando desse modo, o fosso de recebimento operou com o limite de sua capacidade que é de 130 ton./dia.

A grande quantidade de RSS gerada no município e a não existência, no entorno de São Paulo, de outra Unidade de tratamento capaz de atender a demanda da cidade, nos impossibilita a elaboração de um Plano de Contingência caso ocorra uma paralisação mais prolongada do Incinerador. Fato esse que pode ser iminente, face às condições expostas.

Concluímos assim que, a única solução para o quadro delicado que se vislumbra, seria a validação do ETD, possibilitando o envio a aquela Unidade de todos os resíduos do GRUPO A da resolução CONAMA 05/93, (resíduos infectados) que constituem o maior percentual dos RSS. Com a redução drástica dos RSS encaminhados ao incinerador (apenas os resíduos do grupo B da resolução CONAMA 05/93 - quimio-terápicos), teremos a possibilidade de uma reforma corretiva de forma a possibilitar o incinerador uma alternativa para um Plano de Contingência para os resíduos do Grupo A, que, como já dissemos, constituem o grande percentual dos RSS.

OCORRÊNCIAS NO ANO DE 2000

DATA
PARALIZAÇÃO
TEMPO
CAUSA
05/01
Câmara II
30 min.
Manutenção nas grelhas
14/01 à 17/01
Câmara I
72 hs.
Manutenção nas grelhas
29/01 à 02/02
Câmara II
96 hs.
Manutenção de grelhas e abóbodas
04/02
Câmara II
4 hs.
Troca do pólipo de carga
05/02 à 13/02
Câmara II
216 hs.
Queda de paredes internas
15/02
Câmara I e II
2 hs.
Falta de energia
22/02
Câmara II
12 hs.
Manutenção do motor do ar primário
03/03 à 08/03
Câmara I
120 hs.
Troca do motor primário
16/03 à 17/03
Câmara I
24 hs.
Troca da saia do funil
25/03 à 27/03
Câmara I
48 hs.
Queda de várias grelhas
24/03
Câmara I
1 h.
Queda de grelhas
10/04
Câmara I
2 hs.
Lixo enroscado no funil
11/04
Câmara I
3 hs.
Lixo enroscado no funil
23/04 à 29/04
Câmara II
144 hs.
Queda da parede sob o alimentador
05/05
Câmara II
1 h.
Troca de cabos na ponte rolante
22/05
Câmara I e II
10 hs.
Manutenção na ponte rolante
01/05 à 04/05
Câmara II
72 hs.
Quebra de travessões
Quebra de 4 fileiras de grelhas
17/06 á 24/06
Câmara I
192 hs.
Manutenção no funil de descida de resíduos
22/07 à 25/07
Câmara I
96 hs.
Manutenção
29/07
Câmara I
3 hs.
Manutenção
02/08
Câmara I e II
2 hs.
Falta de energia elétrica
18/08
-
35 min.
Falta de energia elétrica
20/08
-
2 h.30 min.
Falta de energia elétrica
21/08
Câmara I
7 hs.
Manutenção nas grelhas

Finalizando, pelo fato do equipamento apresentar desgaste geral, apesar de todos os cuidados que vem sendo adotados com a realização de manutenção preventiva, não podemos descartar a possibilidade de ocorrer a paralisação do incinerador por um período mais elástico, causando sérios transtornos aos serviços de tratamento de RSS, como o ocorrido em maio de 1998, onde o incinerador ficou paralisado 338 horas na câmara I e 102 horas na câmara II, no período de 01à 28 de maio de 1998.

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